quinta-feira, 24 de julho de 2008
Bragança – Sinergia Natural, Cultural e Intangível
Propomos uma visita ao Castelo de Bragança de onde poderão visitar a Domus Municipalis, património central deste castelo. É um dos ex-libris da cidade de Bragança, surgindo a sua designação nos finais do séc. XIX, sendo único na Península Ibérica. É um exemplar arquitectónico eloquente do período medieval, singular e enigmático da arquitectura românica, onde a sua edificação data muito provavelmente do primeiro terço de quatrocentos. É constituída por dois espaços distintos: a cisterna ou sala de água, uma denominação que indica que servia para armazenar águas pluviais e nascentes; um espaço arquitectónico superior a “Casa da Câmara”, que terá sido utilizada para as reuniões dos homens-bons, constituído pelo salão fenestrado, cujo pavimento lajeado é o extra-dorso de abobada de berço que cobre a cisterna. O castelo alberga ainda a Torre de Menaje, casa da lenda da Princesa da Torre. Aconselhamos uma breve viagem pelo Parque Natural de Montesinho, rico não só em termos naturais mas também em termos culturais, nomeadamente devido às suas práticas e vivências comunitárias. Assim, a viagem que propomos decorreria entre Rio d’Onor e Vinhais, aldeias abarcadas pelo património que acabamos de referir onde poderão entender os hábitos da região e mesmo com esta ou aquela conversa com a população local, que permitirão aos viajantes entrarem de forma mais viva, e logo mais produtiva, nas vivências culturais e comunitárias destas duas aldeias. O seguinte link irá dar aos futuros visitantes deste Parque Natural um pouco da riqueza paisagística do local. http://youtube.com/watch?v=M0dXsOiGHZk A região de Bragança não é apenas rica em património natural e cultural, é ainda rica em património intangível. O Galaico-Português (que ainda continua presente em muitas tradições orais populares) está actualmente em perigo de extinção, pelo que o governo português e espanhol fizeram uma candidatura conjunta do património imaterial Galaico-português à “Masterpiece of Oral and Intangible Heritage of Humanity”, em 2005. A esta causa, associaram-se algumas escolas portuguesas e espanholas, nas quais as gerações mais novas aprendem a língua galego-portuguesa, de modo a que a sua extinção não se torne numa realidade. Estas escolas são denominadas de Escolas UNESCO. Concerteza que esta iniciativa irá agradar os visitantes e contribuirá para a manutenção da continuidade desta tão rica e interessante cultura que une Portugal e Espanha, tornando muito ténues as suas fronteiras. Os eventos sociais e culturais traduzem os ritmos próprios da Natureza nas celebrações que lhe estão associadas, costumes ancestrais enraizados em ritos pagãos remanescentes ou sacralizados pela Igreja ao longo dos séculos. A “Festa dos Rapazes” que se celebra na quadra natalícia é sem sombra de dúvidas de origem pagã e reflecte a verdadeira sinergia natural e cultural vivida em Bragança. Realiza-se nos dias 25 e 26 de Dezembro e pretende celebrar o solstício de Inverno, a fertilidade que poderá ser considerada como um rito de puberdade, sendo organizada por várias aldeias de Bragança como é o caso de Rio d’Onor. É promovida pelos rapazes da aldeia, preferencialmente solteiros, que se mascaram e encarnam vários personagens, desde vassais, mordomos, “caretos” e tamborileiros. Andam pela aldeia num percurso de peditório e roçam com o chocalho nas raparigas da aldeia. No final, a comunidade reúne-se para comer o cordeiro ou vitelo, prosseguindo-se a festa noite dentro entoando cantos dos reis, porta a porta.
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