
Anualmente, em Setembro, o Douro celebra o ritual das colheitas ou Vindimas.Visitar o Douro nas vindimas é conhecer por dentro a alma do povo duriense. Nesta época do ano o Douro fervilha de actividade e no ar sente-se o aroma da uva, como que reclamando participar num dos melhores vinhos de mesa do mundo - o vinho do Douro - e no inigualável e dos mais apreciados néctares mundiais - o Vinho do Porto.
Elaborado com algumas das castas consideradas como das melhores - Touriga Nacional (a grande uva, de mais classe e prestígio), Barrocão, Touriga Francesa, Tinta Roriz (chamada de Tempranillo em Espanha), Tinta Barroca, Tinto Cão, Malvasia Preta e Mourisca -, este vinho a quem já chamaram "endeusado" é fruto do árduo trabalho de muitos durienses que, de cesto ás costas, peregrinam por entre os socalcos das majestosas encostas vinhateiras. Para aliviar a violência deste trabalho quase desumano, contratavam-se ano após ano "rogas", ranchos de homens e de mulheres que animavam com os seus cantares a faina das vindimas. Nas encostas ouviam-se então o som dos bombos, dos ferrinhos, das braguesas e das concertinas. A concertina durante todo o dia encabeçava os cortejos dos homens que em longas filas carregavam aos ombros os cestos a transbordar de preciosos e reluzentes bagos. Dizia-se então que a concertina tinha o dom de aliviar a dor e de animar os trabalhadores.
Mas este vinho a quem já chamaram "endeusado" é fruto de um árduo trabalho, executado pela arte e força de muitos braços de homens do Douro, que com cesto às costas peregrinam por entre os socalcos das majestosas encostas vinhateiras. Para aliviar a violência deste trabalho quase desumano, eram contratadas anualmente as "rogas", ranchos de homens e de mulheres, que animavam com os seus cantares a faina das vindimas. Nas encostas ouvia-se então o som dos bombos, dos ferrinhos, das braguesas e das concertinas. A concertina era o instrumento que geralmente encabeçava o cortejo dos homens que em longas filas carregavam aos ombros os cestos a transbordar de preciosos e reluzentes bagos.
Até cerca de 1756, a elaboração dos "vinhos de embarque", como na altura se apelidavam os Vinhos do Porto seguiam o chamado "processo antigo" de vinificação. A aguardentação (sempre em pequeno volume) só tinha lugar depois de terminada a fermentação, obtendo-se assim vinhos secos. No ano de 1820, surge o processo de aguardentação dito "moderno" em que se passou a provocar a paragem da fermentação, daí resultando vinhos com prova adamada. Este processo de elaboração só passa a ser generalizado em 1852, altura em que os vinhos começam a se assemelhar aos que hoje encontramos.
Nos processos tradicionais de vinificação, utilizados na elaboração de alguns tipos de vinho do Porto, após o desengace mais ou menos extenso, as uvas são esmagadas em lagares (tanques de pedra abertos, com uma altura máxima de 60 cm). Esta operaçãos, conhecida por pisa, é tradicionalmente feita por homens, pode também ser executada por modelos mecânicos que simulam a pisa a pé. Após o primeiro esmagamento ("corta"), o mosto em fermentação fica em repouso durante algumas horas e é novamente esmagado ("mexa") até à altura em que o mosto em fermentação é separado das partes sólidas (escorrimento) a fim de ser adicionada a aguardente.
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